Carta aberta aos universitários cristãos

 
 
Por Wesley Cunha
Missionário da Cru Brasil e
Diretor da Cru Campus no estado do Rio de Janeiro
 
           

             Já aconteceu de você ir à cozinha e, de repente, esquecer o que foi fazer lá?

            Ou entrar na internet para resolver um problema, ver algo interessante e, dali a pouco, perceber que o tempo passou e você não fez o que ia fazer?
            De vez em quando isso pode acontecer com a nossa vida. Você tem um objetivo, ou uma visão ou um chamado. Você começa correndo naquela direção. Mas muitas vezes se vê tão envolvido com as coisas importantes do seu cotidiano que acaba se esquecendo de caminhar em direção ao seu objetivo…
            Há poucos dias eu estava pensando nos meus heróis da atualidade, que são aqueles missionários que deixam tudo para ir para lugares difíceis, seja pela distância, escassez de estrutura, condições de saúde, perseguição religiosa ou mesmo pela diferença cultural. Confesso que, sinceramente, por um momento eu me considerei muito pequeno perto deles. E, de certa forma, ainda me considero. Mas, naquele momento, foi por um motivo errado (você já vai entender porque).
            Então me lembrei de minha viagem a Moçambique, em 2002, por 6 meses. Como vocês sabem, Moçambique é um país muito pobre, com vários problemas e desafios missionários. Existem muitas missões fazendo trabalhos lindos em periferias e aldeias distantes. Existem também organizações trabalhando em necessidades específicas, como saúde, educação, adoção de órfãos, etc. No entanto, na África também existem profissionais liberais, políticos, empresários, artistas influentes, etc. Eu vi muitos! Pessoas que também tem alma e também estão perdidas sem Cristo. Raramente lembramos delas quando pensamos em missões na África.
            A universidade em que trabalhei, a Eduardo Mondlane, era a maior e mais importante das 3 da capital, Maputo. E uma das poucas do país. Ela tinha, se não me engano, não mais que 7 mil alunos. Esses estudantes, em sua maioria, quando se formam, são quase que automaticamente absorvidos pelo mercado e pelo governo (inclusive pela própria universidade). São a futura “nata” da sociedade – embora grande parte deles também era constituída por pobres. Muitos, inclusive, oriundos daquelas áreas que acabei de mencionar. Estudantes que dependiam de bolsas (e boas notas) para continuar estudando. E espiritualmente o que eu encontrei naquele campus foi uma grande fome de Deus. Uma oportunidade impressionante de alcançar aqueles que realmente têm um potencial de mudar a nação.
            Então, minha mente se transportou novamente para o Brasil. Aqui a realidade, neste sentido, é muito mais desafiadora. Porque estamos em um país maior, mais complexo, e com mais – muito mais – universidades. E existe pouco esforço organizado e focado em alcançá-los. Nossa parte na missão, portanto, é difícil, desafiadora e exige muita, muita fé! Pelo menos não menos que nossos irmãos que trabalho em outras frentes.
            Somos desafiados a não ser apenas grupinhos no campus. Nosso projeto precisa ser muito mais ambicioso que isso. Ele precisa assustar o inferno e aqueles que pensam que a universidade pertence aos ateus, agnósticos e humanistas. Nosso projeto não pode ser outro senão retomar as universidades para Cristo! Não importa o tempo, o esforço e os recursos que isso irá custar. E quando falo em “retomar”, não é num sentido ditatorial, claro! Mas num sentido de alguém que busca, de todas as formas, cativar o outro lado. Nossa conquista, portanto, é pelo amor (embora, no campo espiritual, realmente estamos militando). E ela abrange todos os setores da universidade, não só os estudantes. Deixo a vocês a tarefa de imaginar as implicações disso. Mas quero pontuar só três:
 
  • Estudantes por todos os campi, em todas as turmas, conhecendo e seguindo a Cristo. Vivendo o evangelho e considerando como farão diferença também na sociedade;
  • Professores com mente renovada, que amam seus alunos e são norteados pelos princípios do alto.
  • Funcionários que não se opõe à causa de Cristo (inclusive nas governanças da universidade) , mas oram por um ambiente mais saudável, justo e, por que não, espiritual no campus.
        Para que isso aconteça, precisamos de dois ingredientes fundamentais: 1) dependência de Deus. E isso inclui seu poder, direção e recursos. 2) unidade do Corpo de Cristo. Somos um exercito com um potencial incrível, porém desmobilizado e desarticulado. Existem algumas iniciativas, mas são tímidas e isoladas. Queremos trabalhar com o Corpo de Cristo para ver as coisas que mencionamos acima se tornarem uma realidade. Não queremos apenas uma presença do Alfa e Omega no campus! Queremos mais! Queremos o Reino de Deus se manifestando! Quando falamos de Corpo de Cristo, nos referimos a outros grupos cristãos no campus, igrejas e irmãos dispostos a ajudar, orar e contribuir por essa causa.
            Ao avaliar o potencial desta missão, me dei conta, mais do que nunca, de que ela não é menos digna do que qualquer outra de oração fervorosa, trabalho duro – organizado, diligente e com excelência – e desafio ao envolvimento por parte de outros.
            Se até os movimentos estudantis políticos se mobilizam, gastam tempo, recrutam, levantam dinheiro, fazem barulho, dão a cara a tapa, e, assim, conseguem influenciar corações e mentes, por que não nós, que temos uma causa ainda mais nobre?
            O valor da nossa missão não nos permite ser pouco ousados em desafiar quantas pessoas pudermos e com a melhor qualidade possível neste desafio.     Não estamos nos repetindo em algum programa que muitos outros já fazem. Nem fazendo nada visando interesse próprio. Mas temos um projeto que envolve salvação de vidas e mudanças de rumo nessa sociedade tão sofrida. Como eu disse antes, queremos o Reino! E estamos sonhando grande! E quero desafiá-los a orar e crer de verdade que é possível, até 2020, termos 10% dos estudantes dos campi do Rio de Janeiro alinhados à esta visão. Imaginem, por um momento, como isso seria! Agora, pense também no micro. Ou seja: na sua turma, no seu curso. Quanto seria 10%? Talvez vc tenha fé pra sonhar até com mais!
            Pense mais micro ainda: pense em você. VOCÊ está alinhado com essa visão? Você é um verdadeiro seguidor de Cristo? Seu coração é totalmente dele? Você quer que a vontade de Deus seja feita na sua vida com é feita no céu? Se sim, eu te desafio a levantar agora e orar por pessoas, por discípulos. E orar e trabalhar para que Cristo seja formado nelas. Encontre-se com elas. Invista nelas. Ame-as! Ore por elas todos os dias. Não desista delas! Saia com elas. Pratique com elas. Mostre o viver cristão a elas. Se elas reproduzirem a vida sobrenatural e totalmente revolucionária que é a de Cristo, você já estará iniciando uma grande revolução!
            Estou sendo desafiado e desafiando outros a orarem e agirem pela fé, pois sem ela não podemos agradar a Deus.
            O fato é: se temos um projeto que não cause nenhuma preocupação, nenhum alvoroço no inferno, provavelmente ele não serve pra nada!
            Se você também crê assim, se seu coração também pulsa por isso, e está disposto a dedicar seu tempo, talento e recursos à causa de Cristo por saber que vale a pena, então junte-se a nós! Some conosco! Traga outros! E ajude-nos a nunca nos esquecer dessas coisas, porque isso pode acontecer a qualquer um, a qualquer tempo. Pode acontecer conosco e pode acontecer com você! Não fique sozinho nesse nosso campo de batalha: o campus!
              Seja muito bem-vindo!
Este texto foi feito anteriormente à mudança de nome, de Movimento Estudantil Alfa e Ômega para Cru Campus, realizada em 2017.

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  • Estou presidente do Dce da minha Universidade pelos próximos dois meses, uma gestao provisoria responsavel por fazer a eleicao. A maioria do movimento estudantil é agnostica, ateu, e ainda, um movimento de religioes afro crescendo. A maioria dos partidarios aqui sao Psol, Pstu, PT, POR. Os crentes se limitam a reunioes timidas em uma capela. Na minha sala somos em 3 cristãos e o resto 40, sao mais daqueles que se ocupam de viver em um American Pie. Tudo isso tem me causado temor. O que fazer além de orar?

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