Dia 19. Jejum: Passar fome?

“Quando jejuares […]” (Mateus 6:17)
         Muitas abordagens sobre o jejum me fazem questionar onde foi parar a graça. Ele é visto como moeda de troca celeste − para obter bênçãos, é preciso pagar o preço − e também como chantagem espiritual − “Deus, enquanto você não fizer o que eu quero, não comerei”.
         É fácil concordar que, numa geração hedonista, a prática do jejum tende ao esquecimento. Contudo, vista com os olhos da graça, é um exercício de amor dos mais profundos.
Os cristãos do passado perceberam que muitas das suas ações ou reações eram quase instintivas. Bastava estar numa determinada situação para emergir os impulsos de egoísmo, falta de confiança em Deus, falta de misericórdia, luxúria e tantos outros. Mas eles decidiram sujeitar toda sua vida a Cristo e atacaram esses impulsos enfrentando o mais primitivo de todos: a fome. Jejuando, eles estavam dizendo a si mesmos que o Senhor é o primeiro alimento e o único necessário.
         Pense no impacto da compreensão dessa verdade para a vida prática. Eles estavam se esforçando para viver esse mundo com a perspectiva celeste. Estavam tão motivados pelo amor de Deus que ansiavam por uma mudança neles mesmos. Quando um dos impulsos emergisse, eles estariam prontos para reconhecê-lo e sujeitá-lo a Cristo.
         O esforço não anula a graça. Paulo inúmeras vezes nos escreve para que nos esforcemos. E isso não tem a ver com parecer mais espiritual para os outros, tem a ver com amor prático.
          Talvez nos esforcemos e nunca vejamos nessa vida a transformação que desejamos. A graça nos basta. Ou talvez vejamos transformações. A graça ainda basta, pois sabemos que é Deus quem nos transforma, não nós mesmos.
 
Fernando Bispo é formado em Química pela UERJ e atua como missionário da Cru Campus.

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