Estudantes da Cru Campus no debate da Associação entre Ateus e Agnósticos (ATEA) sobre Laicidade Acadêmica

No dia 19/09 a Cru UFRRJ foi convidada para participar de um debate sobre “Laicidade Acadêmica” realizado pela Associação entre Ateus e Agnósticos (ATEA) que teve duração de cerca de 5 horas. Nos sentimos lisonjeados pelo convite, o qual encaramos como um reconhecimento de nosso trabalho relevante nas universidades. Fomos representados pelos estudantes Caio Rodrigues (Eng. Florestal – UFRRJ) e Mayara Leal (Eng. Química – UFRRJ), que escreveu este texto sobre a tônica de suas falas no debate. Aprecie…

“Como grupo de extensão, nós reconhecemos a importância e o grande passo que foi dado ao se promover um debate organizado pela Associação entre Ateus e Agnósticos (ATEA), cuja mesa teria representantes da Cru Campus (grupo cristão interdenominacional) dentro da UFRuralRJ. Um gigante passo para a empatia, e um grande passo para a quebra de PRÉ conceitos entre pessoas de diferentes posicionamentos políticos e religiosos, mas com um objetivo em comum: o respeito mútuo e a conquista de direitos iguais que independem de ideologias, mas que deveriam ser garantidos pela constituição brasileira que nos “confere” cidadania.

A laicidade é o princípio da separação entre o poder político e o poder religioso. Por que um Cristão desejaria isso? Porque Jesus Cristo é acessível, ele não precisa ser empurrado para dentro da cabeça as pessoas, Ele o faz por um convite aberto e todos quanto quiserem se achegar a Ele conseguirão. Penso que a religião deve ser ensinada e exercida num âmbito privado, como por exemplo: os líderes religiosos e família doutrinando em casa e no templo. Acredito, no geral, que o ensino religioso nas escolas trará mais problemas do que soluções. É utópico pensar que todos os profissionais vão ensinar religião para as crianças e respeitar as crenças de suas famílias. Grande parte deles acabará sendo proselitista conduzindo o aluno a pensar como o professor pensa criando conflitos sobre o que se deve acreditar, já que o professor representa importante figura de referência para a criança. Soube de alguns casos em que isso se tornou empecilho para o caminho do evangelho, devido a forma agressiva que foi apresentado. Sem contar com a frase “você é a favor do ensino religioso nas escolas? Todas as religiões ou só a sua?”, que nos traz à reflexão de que ensino religioso deveria ser num contexto não confessional e sim, num sentido informativo e histórico. Para que a criança conheça a cultura de seu país, o contexto em que as religiões foram trazidas para cá e apresentar menos espanto (e mais respeito) ao ter conhecimento de práticas e costumes de seus futuros colegas de trabalho, faculdade, vizinhos e assim, aumentar a empatia e o respeito, sabendo lidar melhor com as diferenças e até mesmo saber conversar o que se deseja. Com isso, a intolerância causada pelo “medo do novo” diminuiria e os povos poderiam ter um diálogo mais aberto.
Há muitas restrições para fiscalizar um sistema assim e nem todas as escolas tem a estrutura de um profissional capacitado e ético nessa área.
Acredito ser um crime de violência se apenas uma criança sofresse traumas em casa devido a conflitos gerados entre o que a família acredita e ensina num âmbito privado e o que a escola com esse “bom” sistema público apresenta para ela. Imagine uma criança muçulmana chegando em casa dizendo que aprendeu na aula de religião que o deus dela é um entre outros e que o da professora parecia ser o mais certo… Essa simples afirmação já traria problemas sérios – é que a gente não pensa nesses casos de religiões com práticas mais extremas né? Mas aqui no Brasil tem! – A criança deposita tudo o que ela é em suas referências e estar entre o que uma professora antiética prega e o que a mãe ensina traz tamanho desconforto. Não dizendo que isso é regra. Se todos os professores fossem sensatos e éticos, eu apoiaria. Se o sistema fosse estruturado para o ensino religioso para crianças no ensino público, eu apoiaria. Se o cofre público bancasse, e a ementa não favorecesse apenas uma vertente religiosa, também. Mas não quero que a minha religião seja espalhada dessa forma, para que as outras pessoas que não a seguem não sejam injustiçadas e descriminadas. Não gostaria que fizessem isso com meus filhos em relação a outra religião, e não gostaria que eu fosse prejudicada pela lei do meu país que deveria me garantir certos direitos que na prática não são cumpridos. A utopia de um ensino religioso de qualidade em todas as escolas nos serve para sabermos para onde devemos caminhar, mesmo que saibamos que podemos não chegar.
Não tenho espaço aqui para dizer como foram todas as perguntas e os debates que isso gerou quando a plateia teve a vez, mas posso resumir dizendo que o debate foi pacífico e respeitador e particularmente acho que somente um ou dois alunos fugiram do tema com intenção de nos agredir diretamente enquanto cristãos. Fomos amparados pelo Espirito Santo para responder a cada pergunta segundo a Palavra de Deus nos assegura: “Quando levarem vocês para serem julgados nas sinagogas ou diante dos governadores e autoridades, não fiquem preocupados, pensando como vão se defender ou o que vão dizer. Pois naquela hora o Espírito Santo lhes ensinará o que devem dizer.”
Lucas 12:11-12
Sei que isso trouxe exposição do movimento e de nossos rostos, sei que algumas pessoas podem ter saído de lá com uma ideia diferente de “crente” e sei que isso foi se movimentar na universidade. Ser relevante também politicamente e mostrando que o Reino de Deus clama por justiça e amor, e que muitas pessoas se importam com isso sim. É aquela coisa: um político evangélico que usa o nome de Deus ou de sua igreja para persuadir a massa e desfavorecer outras classes retirando direitos de pessoas que não pensam como ele, definitivamente não falam em nome de Jesus e não O representam.
Agradeço a todos que oraram por nós, foi realmente um grande desafio participar deste debate. Agradeço a você que leu todo este texto enorme e reitero que tudo o que eu disse, falei por mim e por minhas opiniões pessoais.”
A paz, Mayara Leal – Estudante de Engenharia Química na UFRRJ

 

Ficamos muito felizes pela participação do Caio e da Mayara neste debate e pedimos a Deus que use cada vez mais estudantes envolvidos com a Cru Campus para serem relevantes em quaisquer situações. E que Ele continue trabalhando nas universidades através de nós.

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